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Mesma empresa, dois valuations: por que os números não batem

Duas pessoas avaliam a mesma empresa e chegam a números que diferem em 30%, 50%, às vezes o dobro. Isso não significa que uma das duas está errada — significa que valuation não é um número, é uma opinião fundamentada em premissas.

O problema é que boa parte do mercado trata valuation como se fosse uma medição objetiva, tipo pesar um pacote. Não é. Cada avaliação carrega dezenas de escolhas metodológicas que mudam o resultado, e a maioria delas nunca é explicitada para quem está do outro lado da mesa:

  • Fluxo de caixa descontado (DCF) x múltiplos de mercado (EBITDA, receita) chegam a respostas diferentes porque partem de lógicas diferentes — um projeta o futuro da empresa, o outro compara com "empresas parecidas" que raramente são tão parecidas assim.
  • A taxa de desconto escolhida no DCF pode variar alguns pontos percentuais entre analistas — e cada ponto percentual de diferença move o valor final em proporções desproporcionais.
  • Premissas de crescimento otimistas versus conservadoras, sozinhas, já explicam boa parte da distância entre duas avaliações "tecnicamente corretas".
  • Quem contrata a avaliação tem interesse no resultado — comprador quer o número baixo, vendedor quer o número alto — e isso influencia (às vezes sem má-fé nenhuma) as escolhas de premissa.

Isso não torna valuation inútil. Torna essencial perguntar, diante de qualquer número, três coisas: qual metodologia foi usada, quais premissas sustentam esse número, e quem encomendou essa avaliação. Sem essas respostas, comparar dois valuations é como comparar preços sem saber se estão na mesma moeda.

Na Vulpini, quando fazemos valuation — seja para uma venda, uma entrada de sócio ou uma segunda opinião sobre um número já apresentado — cada premissa fica documentada e defensável, exatamente para que a outra parte possa questionar e entender de onde veio cada centavo do valor.

Já recebeu uma proposta baseada em um valuation que parecia sair "de uma caixa preta"? Vale a pena pedir para abrir as premissas antes de assinar qualquer coisa.

M&A, valuation e due diligence: vamos conversar sobre o seu caso?